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Espaços de Hilbert e notação de Dirac

Estrutura dos espaços de Hilbert, dual topológico e notação de Dirac em dimensão finita e infinita.

Espaço dual, kets, bras e adjunto

Construção do dual topológico, teorema de representação de Riesz, introdução dos kets, dos bras e do adjunto

Dual algébricoDual topológicoIsomorfismo de RieszKets e brasElementos de matrizDecomposição da identidadeDaggerOperador adjunto

1. A ideia de dualidade

A dualidade é o fio condutor desta lição. Procuremos uma interpretação intuitiva. Em matemática, abrange muitas situações, mas nos espaços de Hilbert exprime uma ideia simples e profunda: um vetor pode ser visto não só como um objeto em si, mas também como um operador que atua sobre outros vetores para produzir números, isto é, como uma forma linear. Em mecânica quântica, esse número é uma amplitude de probabilidade.

O formalismo quântico explora plenamente estas duas facetas, e a notação de Dirac oferece um engenhoso sistema para as manipular. Os kets, escritos u\ket{u}, representam vetores; os bras, escritos u\bra{u}, representam formas lineares que atuam sobre eles. A combinação uv\langle u|v\rangle produz um escalar, chamado bracket, enquanto expressões como aijuivj\sum a_{ij} \ket{u_i}\bra{v_j} descrevem operadores.

Esta notação tornou-se a linguagem habitual da física quântica e é indispensável dominá-la completamente. Após esta lição será fornecido um formulário com as regras de cálculo. É possível aprender a manipular os símbolos sem compreender realmente a matemática subjacente. Mas perceber o seu significado profundo exige o programa aqui esboçado: compreender como se constrói a identificação completa entre vetores e formas lineares e por que razão isso conduz naturalmente a outro objeto essencial, o adjunto de um operador.

Na próxima secção tentaremos estabelecer um isomorfismo entre um espaço vetorial e o seu dual algébrico, o conjunto de todas as suas formas lineares. Veremos que é impossível. Embora um espaço de dimensão finita seja isomorfo ao seu dual, o isomorfismo não é canónico: depende de uma escolha arbitrária de base. Em dimensão infinita a situação piora: tal isomorfismo simplesmente não existe. Estes obstáculos invalidam a identificação automática e justificam recorrer à estrutura mais rica dos espaços de Hilbert.

A Secção 3 mostra como explorar essa estrutura adicional para superar as dificuldades. Graças ao produto interno, restringindo-nos às formas lineares contínuas que constituem o dual topológico, obtemos um resultado notável. O teorema de Riesz afirma que, em qualquer dimensão, existe um isomorfismo isométrico antilinear e canónico entre um espaço de Hilbert e o seu dual topológico.

Isto fundamenta rigorosamente a notação de Dirac, detalhada nas Secções 4 e 5: kets, bras e operadores lineares. Depois veremos como o isomorfismo de Riesz introduz naturalmente o adjunto, na Secção 6. A Secção 7 resume a construção num esquema completo. Ao longo da lição usaremos a dimensão finita como exemplo concreto, trabalhando sempre sobre o corpo C\mathbb{C}.

2. Formas lineares e dual algébrico

Seja EE um espaço vetorial sobre C\C. O seu dual algébrico EE^* é o conjunto das formas lineares sobre EE, isto é, das aplicações lineares φ:EC.\varphi : E \to \C.

Em dimensão finita nn, fixada uma base (e1,,en)(e_1,\dots,e_n) de EE, podemos construir uma família correspondente de formas lineares (θ1,,θn)(\theta_1,\dots,\theta_n) em EE^* definida por:

θj(ei)=δij\theta_j(e_i)=\delta_{ij}

Demonstra-se que esta família é linearmente independente e geradora, portanto uma base de EE^*, chamada base dual. Assim, dim(E)=dim(E)\dim(E^*) = \dim(E), pelo que EE e EE^* são isomorfos. Um isomorfismo possível é a aplicação TT que associa a cada vetor x=xieix = \sum x_i e_i a forma wx=xiθiw_x = \sum x_i \theta_i.

Contudo, TT é de certo modo artificial, pois depende da escolha inicial da base de EE. Se mudarmos a base, TT também muda. Não existe, pois, uma identificação canónica ou natural entre um espaço vetorial e o seu dual algébrico.

Em dimensão infinita, um resultado clássico mostra que EE nunca é isomorfo ao seu dual algébrico, cuja dimensão é estritamente maior; veja-se o teorema de Erdös–Kaplansky. Por exemplo, se EE tem dimensão algébrica numerável, o seu dual tem dimensão algébrica não numerável.

Em ambos os casos falta uma identificação canónica entre vetores e formas lineares.

3. Dual topológico e teorema de Riesz

Num espaço de Hilbert H\H, a norma associada ao produto interno distingue uma classe particular de formas lineares: as contínuas. Diz-se que φ:HC\varphi : \H \to \C é contínua em x0x_0 se

ε>0, δ>0:xx0H<δ    φ(x)φ(x0)<ε,\forall \varepsilon > 0, \ \exists \delta > 0 : \|x - x_0\|_\H < \delta \implies |\varphi(x) - \varphi(x_0)| < \varepsilon,

Se for contínua num ponto, por linearidade é contínua em todos1. As formas lineares contínuas constituem um subespaço vetorial do dual algébrico, chamado dual topológico e também denotado, abusivamente, H\H^*.

Nota 1: Retomaremos estes pontos nas lições de topologia e teoria dos operadores lineares.
Definição 1 (Dual topológico)
Seja H\H um espaço de Hilbert sobre C\C. As formas lineares contínuas sobre H\H formam um espaço vetorial, chamado dual topológico de H\H e denotado H\H^*. Possui uma norma natural, a norma dual: φH  =def  supxH=1φ(x),\|\varphi\|_{\H^*} \equiv \sup_{\|x\|_\H=1} |\varphi(x)|,

para a qual H\H^* é um espaço vetorial normado completo, isto é, de Banach.

Observação: esta norma é um caso particular da norma de operador, que veremos na secção 1.5 (Tema 4, Lição 3, indisponível neste idioma). A construção anterior vale em qualquer espaço normado. O que é específico de Hilbert é o teorema seguinte: o produto interno identifica bijetivamente cada forma linear contínua com um vetor.

Teorema 1 (Teorema de representação de Riesz)
Seja H\mathcal{H} um espaço de Hilbert, separável ou não. Toda a forma linear contínua φH\varphi \in \mathcal{H}^* se escreve de maneira única como φ(x)=u,x\varphi(x) = \langle u, x \rangle

para algum vetor uHu \in \mathcal{H}.

A aplicação Φ:uφu=u,\Phi : u \mapsto \varphi_u = \langle u, \cdot \rangle de H\mathcal{H} em H\H^* já é injetiva num espaço pré-hilbertiano. Se φu=φv\varphi_u = \varphi_v, para todo o xx de H\mathcal{H} temos 0=φu(x)φv(x)=uv,x0 = \varphi_u(x) - \varphi_v(x) = \langle u-v , x \rangle; escolhendo x=uvx = u - v e usando a definição positiva, resulta u=vu = v.

Riesz afirma que também é sobrejetiva. Não é trivial e só vale em espaços de Hilbert. Num pré-hilbertiano incompleto, por exemplo, há formas lineares contínuas que não se exprimem como produto interno com um vetor do próprio espaço; a aplicação não é sobrejetiva.

Riesz fornece assim a bijeção Φ\Phi entre H\mathcal{H} e H\mathcal{H}^* que procurávamos. Deduzimos:

Corolário 1
A aplicação Φ:uφu\Phi : u \mapsto \varphi_u é um isomorfismo antilinear isométrico, chamado isomorfismo canónico de Riesz, entre H\H e o seu dual topológico com a norma dual: HH\mathcal{H}^* \simeq \mathcal{H}.
Demonstração.
  1. A antilinearidade decorre da do produto interno de H\H: Φ(λu)=φλu=λu,.=λu,.=λφu=λΦ(u)\Phi(\lambda u) = \varphi_{\lambda u} = \langle \lambda u, . \rangle = \lambda^* \langle u, . \rangle = \lambda^* \, \varphi_u = \lambda^* \, \Phi(u).
  2. Demonstremos a isometria, Φ(u)H=uH\|\Phi(u)\|_{\H^*} = \|u\|_\H. Primeiro: φuH=supx=1u,xuH\|\varphi_u\|_{\H^*} = \sup_{\|x\|=1} |\langle u,x\rangle| \leq \|u\|_\H pela desigualdade de Cauchy-Schwarz. A igualdade é atingida para x=u/ux = u/\|u\| se u0u \neq 0; é trivial se u=0u = 0.
  3. Usamos a bijeção isométrica Φ\Phi para transportar o produto interno de H\H para H\H^*, definindo: φu,φvH  =def  Φ1(φv),Φ1(φu)H=v,uH.\langle \varphi_u, \varphi_v \rangle_{\mathcal{H}^*} \equiv \langle \Phi^{-1}(\varphi_v), \Phi^{-1}(\varphi_u) \rangle_{\mathcal{H}} = \langle v, u \rangle_{\mathcal{H}}. A ordem invertida, v, u em vez de u, v, compensa a antilinearidade de Φ\Phi. Verifiquemos a sesquilinearidade em H\H^*: λφu,φvH=φλu,φvH=v,λuH=λv,uH=λφu,φvH\langle \lambda \varphi_u, \varphi_v \rangle_{\mathcal{H}^*} = \langle \varphi_{\lambda^*u}, \varphi_v \rangle_{\mathcal{H}^*} = \langle v, \lambda^*u \rangle_{\mathcal{H}} = \lambda^* \langle v, u \rangle_{\mathcal{H}} = \lambda^* \langle \varphi_u, \varphi_v \rangle_{\mathcal{H}^*}. Os restantes axiomas verificam-se facilmente.
  4. A norma induzida satisfaz: φu,φuH=u,uH=uH=φuH,\sqrt{\langle \varphi_u, \varphi_u \rangle_{\H^*}} = \sqrt{\langle u,u \rangle_{\H}} = \|u\|_\H = \|\varphi_u\|_{\H^*}, e coincide, portanto, com a norma dual.
  5. Finalmente, a completude de H\H^*, e portanto o seu caráter hilbertiano, é garantida porque uma isometria bijetiva a partir de um espaço completo preserva a completude, como aqui admitimos.

Assim, H\H^* herda uma estrutura de Hilbert para a qual Φ\Phi é um isomorfismo antilinear de espaços de Hilbert.

4. Notação de Dirac: bras, kets e brackets

A notação de Dirac é apenas uma reescrita do isomorfismo de Riesz. Definimos kets, bras e brackets e usamo-los para reescrever a decomposição numa base de Hilbert vista na lição anterior.

  1. Os kets. Um vetor uHu \in \mathcal{H} escreve-se como um ket: uHu\boxed{ u \in \mathcal{H} \quad \longleftrightarrow \quad \ket{u} }

    A estrutura linear fornece as regras:

    u+v=u+vλu=λu\begin{aligned} \ket{u+v} &= \ket{u} + \ket{v} \\ \ket{\lambda u} &= \lambda \ket{u} \end{aligned}
  2. Os bras. A cada vetor uHu \in \H associamos por Φ\Phi uma forma φu\varphi_u. Escrevemo-la como um bra, indicando no seu interior o vetor associado: φu=Φ(u)Hu\boxed{ \varphi_{u} = \Phi(u) \in \mathcal{H}^* \quad \longleftrightarrow \quad \bra{u} }

    Assim, u\bra{u} representa o vetor uu visto como forma linear: «calcular o produto interno com uu e devolver um número». Temos:

    u+v=u+vλu=λu,\begin{aligned} \bra{u+v} &= \bra{u} + \bra{v} \\ \bra{\lambda u} &= \lambda^* \bra{u}, \end{aligned} por antilinearidade de Φ\Phi.
  3. O bracket. As duas notações permitem formar um produto interno, chamado bracket ou inner product em inglês, como produto de um bra por um ket: u,x  =def  u|x\boxed{\langle u, x \rangle \equiv \braket{u}{x}}

    A notação exprime a ação da forma linear u\bra{u} sobre o vetor x\ket{x}:

    u(x)=φu(x)=u,x=u|x.\bra{u}\left(\ket{x}\right) = \varphi_u(x) = \langle u, x \rangle = \braket{u}{x}.
  4. Decomposição hilbertiana. Em qualquer dimensão vimos a decomposição u=iIei,ueiu = \sum_{i \in I} \langle e_i, u \rangle e_i, cuja soma é finita ou converge em H\mathcal{H} se II for infinito. Em Dirac:

    u=iIei|uei=iIuiei\boxed{ \ket{u} = \sum_{i \in I} \braket{e_i}{u} \ket{e_i} = \sum_{i \in I} u_i \ket{e_i} }

    (1)

    Os uiu_i são as componentes do ket uu na base. Obtêm-se por projeção ortogonal sobre eie_i como ui=ei|uu_i = \braket{e_i}{u}, não como u|ei\braket{u}{e_i}, que vale uiu_i^*. É um erro frequente, provavelmente porque no cálculo vetorial habitual sobre Rn\R^n recuperamos a componente viv_i de v\vec{v} por vi=veiv_i = \vec{v} \cdot \vec{e}_i. Isto pode sugerir ui=u|eiu_i = \braket{u}{e_i} no caso quântico, mas ignoraria a sesquilinearidade sobre C\C e produziria imediatamente um erro de cálculo.

    Para os bras:

    u=iIu|eiei=iIuiei\boxed{ \bra{u} = \sum_{i \in I} \braket{u}{e_i} \bra{e_i} = \sum_{i \in I} u_i^* \bra{e_i} }

    (2)

    e o quadrado da norma é

    u2=u|u=iIui2=iIuiui\|u\|^2 = \braket{u}{u} = \sum_{i \in I} |u_i|^2 = \sum_{i \in I} u_i^* u_i

    (3)

    onde a segunda igualdade é a de Parseval.
  5. A operação dagger. O isomorfismo Φ\Phi de kets para bras costuma ser indicado pelo expoente \dagger. Escolhemos o mesmo símbolo para o inverso Φ1\Phi^{-1} de bras para kets. A operação dagger torna-se assim involutiva. Por convenção: u=u(aplicac¸a˜Φ)u=u(aplicac¸a˜Φ1)(u)=u(involuc¸a˜o)\begin{aligned} \bra{u} &= \ket{u}^\dagger \quad \text{(aplicação } \Phi)\\ \ket{u} &= \bra{u}^\dagger \quad \text{(aplicação } \Phi^{-1})\\ \left(\ket{u}^\dagger\right)^\dagger &= \ket{u} \quad \text{(involução)} \end{aligned}

Ilustremos estes pontos em dimensão finita. Escolhemos H\H de dimensão nn e uma base hilbertiana B=(ei)i=1n\mathcal{B} = \left(\ket{e_i}\right)_{i=1}^n com o produto interno canónico; ver secção 3.1 (Tema 2, Lição 1). Representamos os kets da base por vetores coluna, matrizes (n,1)(n,1):

ei=(00100)B\ket{e_i} = \begin{pmatrix} 0 \\ \vdots \\ 0 \\ 1 \\ 0 \\ \vdots \\ 0 \end{pmatrix}_\mathcal{B}

O 11 ocupa a ii-ésima posição. Todos os kets u\ket{u} se escrevem como colunas

u=i=1nuiei=(u1u2un)BCn,\ket{u} = \sum_{i=1}^n u_i \ket{e_i} = \begin{pmatrix} u_1 \\ u_2 \\ \vdots \\ u_n \end{pmatrix}_\mathcal{B} \in \mathbb{C}^n,

com ui=ei|uu_i = \braket{e_i}{u}. A forma φu\varphi_u associada a uu deve satisfazer, para todo o vetor vv:

φu(v)=u,v=i=1nuivi,(produto interno canoˊnico de Cn)\varphi_u(v) = \langle u, v \rangle = \sum_{i=1}^n u_i^* v_i, \quad \text{(produto interno canónico de } \C^n)

Para obter esta soma, u\bra{u} deve ser representado pelo vetor linha (1,n)(1, n) das coordenadas conjugadas de uu:

u=(u1,u2,,un),\bra{u} = \left(u_1^*, u_2^*, \cdots, u_n^*\right),

Assim, o produto interno u|v\braket{u}{v} é o produto matricial habitual:

u|v=(u1,u2,,un)(v1v2vn)=i=1nuiviC.\begin{aligned} \braket{u}{v} = \begin{pmatrix} u_1^*, & u_2^*, & \cdots, & u_n^* \end{pmatrix} \cdot \begin{pmatrix} v_1 \\ v_2 \\ \vdots \\ v_n \end{pmatrix} = \sum_{i=1}^n u_i^* v_i \in \mathbb{C}. \end{aligned}

Por exemplo, em dimensão 2:

u=(1i)u=(1,i)\ket{u} = \begin{pmatrix} 1 \\ i \end{pmatrix} \quad \Rightarrow \quad \bra{u} = (1, -i)

Obtivemos:

Proposição 1 (Transposição conjugada)
Em dimensão finita, o bra u\bra{u} é o transposto conjugado do ket u\ket{u}. Temos: u=u=uu=u=u\begin{aligned} \bra{u} &= \ket{u}^\dagger = \transpose{\ket{u^*}}\\ \ket{u} &= \bra{u}^\dagger = \transpose{\bra{u^*}} \end{aligned}

Em dimensão infinita isto não faz sentido, pois a transposição não está definida. Contudo, em 2(N)\ell^2(\N) e na sua base canónica, tudo funciona de modo semelhante considerando linhas ou colunas infinitas e substituindo somas finitas por séries convergentes. Pode ajudar a intuição, mas rigorosamente não se trata de matrizes nem de transposição.

5. Operadores, elementos de matriz e decomposição da identidade

Continuamos com Dirac introduzindo aplicações lineares, ou operadores lineares, A^\hat A de H\mathcal{H} em G\mathcal{G}, sendo G\mathcal{G} outro espaço de Hilbert.

Escrita dos operadores. Em física é habitual assinalá-los com um chapéu. Um operador A^\hat A atuando sobre vvA^v\hat A v. Em Dirac há duas escritas equivalentes; a segunda é mais usada:

v=A^uv=A^u  =def  A^u.\boxed{v = \hat A \, u \quad \longleftrightarrow \quad \ket{v} = \ket{\smash{\hat A} u} \equiv \hat A \ket{u}}.

Do mesmo modo, um produto interno com operador escreve-se:

w,A^uw|A^u  =def  wA^u\boxed{\langle w, \hat A \, u \rangle \quad \longleftrightarrow \quad \braket{w}{\smash{\hat{A}} u} \equiv \bra{w} \hat A \ket{u} }

A segunda forma é mais frequente por razões estéticas.

Elementos de matriz. O caso w=ei\bra{w} = \bra{e_i} e u=ej\ket{u} = \ket{e_j} é particularmente importante porque define os elementos de matriz de A^\hat A:

Aij=eiA^ej.\boxed{A_{ij} = \bra{e_i}\hat{A}\ket{e_j}.}

(4)

Em dimensão infinita nem sempre faz sentido: ei\ket{e_i} deve pertencer ao domínio de A^\hat A; voltaremos a isso. Em dimensão finita a definição é transparente. Representando os vetores da base por colunas, cada operador linear corresponde univocamente à sua matriz: A^    A=(Aij)1i,jn\hat A \;\longleftrightarrow\; A = (A_{ij})_{1 \le i,j \le n}, com Aij=eiA^ejA_{ij} = \bra{e_i}\hat{A}\ket{e_j}. A equação v=A^u\ket{v} = \hat A \ket{u} torna-se o produto habitual A^u=ij(Aijuj)ei\hat A \ket{u} = \sum_{i} \sum_j (A_{ij} u_j) \ket{e_i}, e o produto interno torna-se wA^u=(w)Au=ijwiAijujC\bra{w} \hat A \ket{u} = \transpose{\left(w^*\right)} A u = \sum_{ij} w_i^* A_{ij} u_j \in \C.

Exemplo 1 (Cálculos matriciais)
Consideremos explicitamente: A^=(i011),u=(13),w=(i1),\begin{aligned} \quad \hat A = \begin{pmatrix} i & 0 \\[1mm] 1 & -1 \end{pmatrix}, \quad \ket{u} = \begin{pmatrix} 1 \\ 3 \end{pmatrix}, \quad \ket{w} = \begin{pmatrix} i \\ 1 \end{pmatrix}, \end{aligned}

Então:

v=A^u=(i011)(13)=(i2),wA^u=(i,1)(i011)(13)=1.\begin{aligned} \ket{v} = \hat A \ket{u} = \begin{pmatrix} i & 0 \\[1mm] 1 & -1 \end{pmatrix} \cdot \begin{pmatrix} 1 \\ 3 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} i \\ -2 \end{pmatrix}, \quad \bra{w} \hat A \ket{u} = (-i, 1) \cdot \begin{pmatrix} i & 0 \\[1mm] 1 & -1 \end{pmatrix} \cdot \begin{pmatrix} 1 \\ 3 \end{pmatrix} = -1. \end{aligned}

Operadores ket-bra. Um bracket é um número, mas um ket-bra é um operador, chamado produto exterior, sem relação com o produto exterior das formas diferenciais. A dois vetores u\ket{u} e v\ket{v} do mesmo espaço de Hilbert H\H associamos uv\ket{u}\bra{v} de H\H em H\H, definido por:

uv:HH,xuv|xC=v|xu.\begin{aligned} \ket{u}\bra{v} \quad : \quad &\mathcal{H} \to \mathcal{H}, \\ &\ket{x} \mapsto \ket{u} \underbrace{\braket{v}{x}}_{\in \mathbb{C}} = \braket{v}{x} \, \ket{u}. \end{aligned}

Também aqui, em dimensão finita, é importante E^ij  =def  eiej\hat{E}_{ij} \equiv \ket{e_i}\bra{e_j}. Os seus elementos são todos nulos salvo um «1» na linha ii e coluna jj; a matriz é:

Eij=(000010000),\begin{aligned} E_{ij} = \begin{pmatrix} 0 & \cdots & 0 & \cdots & 0 \\ \vdots & & \vdots & & \vdots \\ 0 & \cdots & 1 & \cdots & 0 \\ \vdots & & \vdots & & \vdots \\ 0 & \cdots & 0 & \cdots & 0 \end{pmatrix}, \end{aligned}

Todo o operador linear A^\hat{A} se decompõe em dimensão finita pelos seus elementos de matriz:

A^=i,j=1nAijE^ij=i,j=1nAijeiej,\boxed{ \hat{A} = \sum_{i,j=1}^n A_{ij}\,\hat E_{ij} = \sum_{i,j=1}^n A_{ij}\,\ket{e_i}\bra{e_j}, }

com Aij=eiA^ejA_{ij} = \bra{e_i}\hat{A}\ket{e_j}. Em dimensão infinita nem sempre é possível; quando existe, a decomposição entende-se em convergência forte. Voltaremos a isso nas próximas lições.

Decomposição do operador identidade. A identidade em H\mathcal{H}, denotada 1\mathbf{1}, define-se por 1x=x\mathbf{1}\ket{x} = \ket{x} para todo o xH\ket{x} \in \mathcal{H}. Em dimensão finita é representada pela matriz identidade. Mais geralmente:

1=iIeiei\boxed{ \mathbf{1} = \sum_{i \in I} \ket{e_i}\bra{e_i} }
(5)

também em dimensão infinita numerável, onde a série converge fortemente. Chama-se resolução da identidade ou relação de fecho. É extremamente útil nos cálculos quânticos. Atenção: é falsa em espaços não separáveis2

Nota 2: A decomposição x=iIei,xeix = \sum_{i \in I} \langle e_i, x \rangle e_i continua válida em qualquer Hilbert, mas no caso não separável a soma percorre apenas um subconjunto numerável I(x)II(x) \subset I dependente de xx. Não se deduz, portanto, uma identidade escrita independentemente do vetor sobre o qual atua, o que invalida (5) neste contexto.

6. O operador adjunto

Voltemos a Riesz e consideremos um operador linear contínuo3 A^\hat{A} de H\mathcal{H} em G\mathcal{G}, sendo H\H e G\G dois espaços de Hilbert, possivelmente com H=G\H = \G.

Nota 3: Restringimo-nos aos operadores contínuos para simplificar. O adjunto no caso não contínuo será construído na secção 1.6 (Tema 4, Lição 3, indisponível neste idioma).

Quando A^\hat{A} atua sobre uH\ket{u} \in \mathcal{H}, obtemos v=A^u=A^uG\ket{v} = | \hat{A} u \rangle = \hat{A}\ket{u} \in \mathcal{G}. É natural perguntar pelo bra associado por Riesz a v\ket{v}, isto é, pela forma em G\G: v=A^u\bra{v} = \langle \hat{A}u |. Isto conduz ao adjunto de A^\hat{A}, também denotado A^\hat{A}^\dagger, essencial em mecânica quântica.

Para determinar v=A^u\bra{v} = \langle \hat{A}u |, fixamos um ket qualquer wG\ket{w} \in \mathcal{G} e consideramos a forma linear sobre H\H:

φ:HCuA^u,wG\begin{aligned} \varphi : \begin{array}{rcl} \mathcal{H} & \longrightarrow & \mathbb{C} \\[4pt] \ket{u} & \longmapsto & \langle \hat{A}u, w \rangle_{\mathcal{G}} \end{array} \end{aligned}

O índice G\G indica onde se calcula o produto interno. Admitimos que φ\varphi é uma forma linear contínua em H\mathcal{H} se A^\hat{A} for contínuo. Por Riesz aplicado a H\mathcal{H}, existe um único zH\ket{z} \in \mathcal{H} tal que φ=φz\varphi = \varphi_z:

uH,φ(u)=A^u,wG=φz(u)=u,zH.\forall\, \ket{u} \in \mathcal{H}, \quad \varphi(u) = \langle \hat{A}u, w \rangle_{\mathcal{G}} = \varphi_z(u) = \langle u, z \rangle_{\mathcal{H}}.

Associamos assim a um vetor w\ket{w} de G\G um único z\ket{z} de H\H. Formalmente é a ação do operador adjunto A^\hat{A}^\dagger: z=A^w\ket{z} = \hat{A}^\dagger \ket{w}. O operador A^\hat A atua de H\H para G\G, enquanto o adjunto vai de G\G para H\H.

Repetindo a construção para cada w\ket{w}, verifica-se facilmente que o operador definido é linear e contínuo. Obtemos:

Definição 2 (Adjunto de um operador contínuo)
O adjunto de um operador linear contínuo A^:HG\hat{A} : \mathcal{H} \to \mathcal{G} é o único operador linear contínuo A^:GH\hat{A}^\dagger : \mathcal{G} \to \mathcal{H} tal que:

uH,wG,A^u|wG=u|A^wH\boxed{ \forall \ket{u} \in \mathcal{H}, \forall \ket{w} \in \mathcal{G}, \quad \braket{\smash{\hat{A}} u}{w}_{\mathcal{G}} = \braket{u}{\smash{\hat{A}}^\dagger w}_{\mathcal{H}} }
(6)

O adjunto tem duas utilidades práticas no cálculo quântico formal.

  1. A fórmula mostra que, «mantendo fixas as posições de uu e ww, o adjunto permite passar o operador da esquerda para a direita».
  2. Pela simetria hermitiana, A^u|wG=w|A^uG\braket{\smash{\hat{A}} u}{w}_{\mathcal{G}} = \braket{w}{\smash{\hat{A}} u}_{\mathcal{G}}^*, também:

    uH,wG,wA^uG=uA^wH\boxed{\forall \ket{u} \in \mathcal{H}, \forall \ket{w} \in \mathcal{G}, \quad \bra{w} \hat A \ket{u}_{\G}^* = \bra{u}\hat{A}^\dagger \ket{w}_{\mathcal{H}}}
    (7)

    Isto mostra que «o adjunto permite trocar bra e ket a menos de conjugação complexa».

As duas identidades são equivalentes. É preciso atender aos espaços de partida e chegada H\H e G\G, e a se usamos o produto interno de H\H ou de G\G. Na prática, quase sempre H=G\H = \G, simplificando a notação.

Ilustremos a construção em dimensão finita. O resultado principal é:

Proposição 2 (Transposição conjugada)
Em dimensão finita, a matriz do adjunto A^\hat{A}^\dagger é a transposta conjugada da matriz do operador A^\hat{A}.

A=(A)\boxed{A^\dagger = \transpose{\left(A^*\right)}}

(8)

Demonstração.
Por definição, os elementos de matriz de A^\hat{A}^\dagger são: (A^)ij=eiA^ej=ei|A^ej.(\hat{A}^\dagger)_{ij} = \bra{e_i}\hat{A}^\dagger \ket{e_j} = \braket{e_i}{\smash{\hat{A}}^\dagger e_j}.

Pela definição do adjunto:

ei|A^ej=A^ei|ej\braket{e_i}{\smash{\hat{A}}^\dagger e_j} = \braket{\smash{\hat{A}} e_i}{e_j}

e pela simetria hermitiana

A^ei|ej=ej|A^ei=ejA^ei=Aji\braket{\smash{\hat{A}} e_i}{e_j} = \braket{e_j}{\smash{\hat{A}} e_i}^* = \bra{e_j}\hat{A} \ket{e_i}^* = A_{ji}^*

Demonstrámos:

(A)ij=Aji=(A)ij(A^\dagger)_{ij} = A_{ji}^* = \left(\transpose{A^*}\right)_{ij}

Falta responder explicitamente: qual é o bra v=A^u\bra{v} = \bra{\smash{\hat A} u} associado canonicamente a v=A^u\ket{v} = \ket{\smash{\hat A} u}? A fórmula (6) responde mediante um produto interno válido para todo o ww, permitindo escrever:

wG,A^u|wG=uA^wH    A^u=uA^\forall w \in \mathcal{G}, \quad \braket{\hat{A} u}{w}_{\mathcal{G}} = \bra{u} \hat{A}^\dagger \ket{w}_{\mathcal{H}} \;\Rightarrow\; \boxed{\bra{\hat{A} u} = \bra{u} \hat{A}^\dagger}

Duas formas lineares que coincidem em todo o ww são iguais. É crucial compreender este objeto: um erro frequente é acreditar que «o adjunto atua à esquerda sobre os bras». É falso! uA^\bra{u} \hat{A}^\dagger é uma composição de operadores, não uma ação à esquerda. Os espaços de partida e chegada são:

A^:GH,u:HC,\begin{aligned} \hat A^\dagger &: \mathcal G \to \mathcal H, \\ \bra{u} &: \mathcal H \to \mathbb{C}, \end{aligned}

Assim, uA^\bra{u} \hat A^\dagger é a composição uA^:GHC\bra{u} \circ \hat A^\dagger \, : \, \mathcal{G} \to \mathcal{H} \to \mathbb{C}, uma forma linear sobre G\mathcal{G}. A omissão habitual de \circ pode causar confusão.

Exemplo 2 (Ilustração em dimensão finita)
Os kets são colunas, os bras linhas e o adjunto é a transposta conjugada. Por exemplo: A^=(1i02),A^=(10i2),u=(01).\begin{aligned} \hat{A} = \begin{pmatrix} 1 & i \\ 0 & 2 \end{pmatrix}, \quad \hat{A}^\dagger = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ -i & 2 \end{pmatrix}, \quad \ket{u} = \begin{pmatrix} 0 \\ 1 \end{pmatrix}. \end{aligned}

Calculamos:

A^u=(1i02)(01)=(i2)de onde se deduzA^u=(i2).\begin{aligned} \hat{A}\ket{u} = \begin{pmatrix} 1 & i \\ 0 & 2 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 0 \\ 1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} i \\ 2 \end{pmatrix} \quad \text{de onde se deduz} \quad \bra{\smash{\hat{A}}u} = \begin{pmatrix} -i & 2 \end{pmatrix}. \end{aligned}

Verifiquemos diretamente:

uA^=(01)(10i2)=(i2).\begin{aligned} \bra{u}\hat{A}^\dagger = \begin{pmatrix} 0 & 1 \end{pmatrix} \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ -i & 2 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} -i & 2 \end{pmatrix}. \end{aligned}

Recuperamos a mesma linha. Aqui uA^\bra{u}\hat{A}^\dagger é um produto vetor linha ×\times matriz, cujo resultado é uma linha em G\mathcal{G}. Para perceber a impossibilidade de uma ação à esquerda, tentemos A^u\hat{A}^\dagger\bra{u}, matricialmente:

A^u=(10i2)(01),\begin{aligned} \hat{A}^\dagger \bra{u} = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ -i & 2 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 0 & 1 \end{pmatrix}, \end{aligned}

É o produto de uma matriz 2×22\times 2 por uma linha 1×21\times 2, uma operação sem sentido matricial.

Finalmente, de A^u=uA^\bra{\smash{\hat{A}} u} = \bra{u} \hat A^\dagger, aplicando dagger, deduzimos:

(A^u)=uA^.\left(\hat{A} \ket{u}\right)^\dagger = \bra{u} \hat{A}^\dagger.
(9)

(uA^)=A^u.\left(\bra{u} \hat{A}^\dagger\right)^\dagger = \hat{A} \ket{u}.
(10)

Exemplo 3 (Cálculo de uma composição formal pelo adjunto)
Vejamos uma pergunta típica de exame elementar sobre o oscilador harmónico. É dada uma família de kets n\ket{n} para inteiros positivos nn, com as relações: a^n=nn1\hat a \ket{n} = \sqrt{n} \ket{n-1} e a^n=n+1n+1\hat a^\dagger \ket{n} = \sqrt{n + 1} \ket{n+1}. Pergunta-se quanto vale na^\bra{n} \hat a^\dagger.

Se acreditarmos que a^\hat a^\dagger atua à esquerda, responderíamos na^=n+1n+1\bra{n} \hat a^\dagger = \sqrt{n + 1} \bra{n+1}. É falso: as equações anteriores dão, por (9) com A^=a^\hat{A} = \hat{a}:

na^=(a^n)=(nn1)=nn1\bra{n}\hat{a}^\dagger = \left(\hat{a}\ket{n}\right)^\dagger = \left(\sqrt{n}\ket{n-1}\right)^\dagger = \sqrt{n}\bra{n-1}

A figura seguinte resume as relações entre bras, kets, o operador A^\hat A e o seu adjunto.

Os espaços de Hilbert de partida e chegada , juntamente com os seus duais topológicos ^* e ^*. O operador A tem uma ação natural à direita: transforma u_ em A u_ . Riesz permite construir A^ , que atua naturalmente sobre kets de para satisfazendo a identidade fundamental. Atenção: o esquema não representa a aplicação inversa! Em geral, A^ A^-1. As setas horizontais superiores representam ações; as inferiores, composições como se explica no texto. As setas azuis e laranja indicam dagger, o isomorfismo de Riesz ou o seu inverso ^-1. O texto fornece as fórmulas essenciais, omitindo os índices e para facilitar a leitura. Sendo a operação involutiva, as transformações azuis e laranja são inversas. O tracejado cinzento recorda a antilinearidade, origem da conjugação complexa na identidade fundamental. Os seus índices e especificam onde se calcula cada produto interno.
Figura 1. Os espaços de Hilbert de partida H\H e chegada G\G, juntamente com os seus duais topológicos H\H^* e G\G^*. O operador A^\hat{A} tem uma ação natural à direita: transforma uH\ket{u}_\H em A^uHG\hat{A}\ket{u}_\H \in \G. Riesz permite construir A^\hat{A}^\dagger, que atua naturalmente sobre kets de G\G para H\H satisfazendo a identidade fundamental. Atenção: o esquema não representa a aplicação inversa! Em geral, A^A^1\hat{A}^\dagger \neq \hat{A}^{-1}. As setas horizontais superiores representam ações; as inferiores, composições como se explica no texto. As setas azuis e laranja indicam dagger, o isomorfismo de Riesz Φ\Phi ou o seu inverso Φ1\Phi^{-1}. O texto fornece as fórmulas essenciais, omitindo os índices H\H e G\G para facilitar a leitura. Sendo a operação involutiva, as transformações azuis e laranja são inversas. O tracejado cinzento recorda a antilinearidade, origem da conjugação complexa na identidade fundamental. Os seus índices H\H e G\G especificam onde se calcula cada produto interno.

Terminamos com algumas propriedades importantes da adjunção:

Proposição 3 (Propriedades do operador adjunto)
Para quaisquer operadores lineares contínuos A^,B^\hat{A}, \hat{B} e qualquer escalar λC\lambda \in \mathbb{C}: (A^+B^)=A^+B^,(λA^)=λA^,(antilinearidade)(A^B^)=B^A^,(atenc¸a˜aˋ ordem)(A^)=A^,(involuc¸a˜o).\begin{aligned} (\hat{A} + \hat{B})^\dagger &= \hat{A}^\dagger + \hat{B}^\dagger, \\ (\lambda \hat{A})^\dagger &= \lambda^* \hat{A}^\dagger, \quad \quad \, \text{(antilinearidade)} \\ (\hat{A}\hat{B})^\dagger &= \hat{B}^\dagger \hat{A}^\dagger, \quad \quad \text{(atenção à ordem)} \\ (\hat{A}^\dagger)^\dagger &= \hat{A}, \qquad \quad \, \,\, \, \text{(involução)}. \end{aligned}

Demonstração.
Para a composição: para quaisquer uH\ket{u} \in \mathcal{H} e wG\ket{w} \in \mathcal{G} aplicamos duas vezes a identidade fundamental, Eq. (6): (A^B^)u|w=A^(B^u)|w=B^u|A^w=u|B^(A^w)=u|(B^A^)w.\braket{(\hat{A}\hat{B})u}{w} = \braket{\hat{A}(\smash{\hat{B}}u)}{w} = \braket{\smash{\hat{B}}u}{\smash{\hat{A}}^\dagger w} = \braket{u}{\smash{\hat{B}}^\dagger(\smash{\hat{A}}^\dagger w)} = \braket{u}{(\smash{\hat{B}}^\dagger \smash{\hat{A}}^\dagger) w}.

Concluímos pela unicidade do adjunto.

7. Referências

Ainda não foram acrescentadas referências para esta lição.